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Vimos como as propriedades do escoamento variam quando ele é levado à condição de estagnação ou o oposto, quando, partindo da condição de estagnação, é acelerado (no caso de reservatórios pressurizados em que se permite a expansão livre).
Se quisermos controlar o escoamento, com o intuito de maximizar o empuxo gerado pela exaustão, devemos fazer o uso de bocais.
O escoamento em bocais é um escoamento com mudança de área. Entretanto, vamos considerar uma mudança gradual, o que permite tratar o escoamento como quase-unidimensional, ou seja, as propriedades variam na direção do escoamento somente.
O objetivo do bocal é o de converter energia térmica, da saída do combustor, em energia cinética, o que resulta em maior empuxo gerado.
Para a análise de bocais, vamos considerar:
Da equação da conservação de massa, temos:
(1) ![]()
Diferenciando a equação:
(2) ![]()
Dividindo pela taxa mássica
:
![]()
(3) ![]()
Cada termo da Eq.(3) é um termo de dilatação, ou seja, representa a variação da propriedade. Para escoamento incompressível
, portanto:
![]()
(4) ![]()
A Eq.(4) indica que, para escoamento incompressível, a variação da área e a variação da velocidade têm comportamentos opostos. Ou seja:
Para escoamentos compressíveis, o termo
, o que implica que há outras maneiras de satisfazer a equação da continuidade.
Sabemos que a entalpia de estagnação é
. Derivando essa equação:
(5) ![]()
Da equação de Gibbs:
![]()
(6) ![]()
Substituindo na Eq.(5):
![]()
(7) ![]()
A Eq.(7) indica que pressão e velocidade sempre têm tendências opostas.
Da definição da velocidade do som:
. Logo:
(8) ![]()
Substituindo na Eq.(7):
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(9) ![]()
A Eq.(9) indica que a massa específica e a velocidade sempre mudam em direções opostas.
Substituindo a Eq.(9) na equação da continuidade:
![]()
(10) ![]()
A Eq.(10) nos fornece a relação entre a variação da velocidade em função da variação da área para o escoamento em função do número de Mach. Substituindo na Eq.(7):
![]()
(11) ![]()
A Eq.(11) nos fornece a relação entre a variação da pressão em função da variação da área para o escoamento em função do número de Mach.
Para escoamento subsônico,
e o termo
. Dessa forma:
(12) ![]()
e
(13) ![]()
Ou seja, para escoamento subsônico, área e velocidade têm direções opostas e área e pressão têm mesma direção de variação.
Para escoamento supersônico, entretanto,
e o termo
. Assim:
(14) ![]()
e
(15) ![]()
Ou seja, para escoamento supersônico, área e velocidade têm mesmo comportamento e área e pressão têm comportamentos opostos:
Por que ocorre a essa mudança de comportamento de subsônico para supersônico? Da Eq.(9):
![]()
sendo:
Quando
,
(16) ![]()
, o que indica que a dilatação da velocidade é predominante (pouca variação da massa específica. Quando
, ao contrário,
(17) ![]()
, o que indica que a dilatação da massa específica domina o escoamento.
O bocal de Laval é um bocal convergente-divergente, sendo a única maneira de acelerar um escoamento subsônico para supersônico por processo permanente.
Como o escoamento sônico se comporta quando a área pode variar?
(18) ![]()
A Eq.18 indica que o escoamento sônico só pode ocorrer onde a área não varia. Dessa forma, temos uma área mínima ou máxima.
Um escoamento subsônico pode ser acelerado até Mach=1 se a área diminuir. À partir de Mach=1, para acelerar o escoamento supersônico, é necessário que a área aumente.
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Um bocal convergente-divergente permite acelerar um escoamento subsônico para supersônico, com Mach unitário na área mínima
Assim, é possível acelerar um escoamento subsônico para supersônico com um bocal convergente-divergente.
Por outro lado, um escoamento subsônico num difusor, em que a área aumenta, irá desacelerar. A condição em que a área é máxima será uma condição subsônica. Da mesma forma, um escoamento supersônico num bocal, em que a área aumenta, irá acelerar, e a região de área máxima também será supersônica.
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Para um escoamento subsônico, se a área aumenta sua velocidade diminui, portanto ele permanece subsônico até o ponto de área máxima
. À partir desse ponto, uma redução da área irá acelerá-lo até o limite de Mach=1.
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um escoamento supersônico com aumento de área irá acelerar, mantendo velocidade supersônica no ponto de área máxima
, podendo ser desacelerado com a redução da área até o limite de Mach=1
Portanto, somente um bocal convergente-divergente, ou \textit{Bocal de Laval} pode produzir Mach=1 para a condição em que a variação de área
é nula.
Estamos interessados em obter uma equação que relacione a área com a área crítica, em que Mach=1. Da equação da continuidade:
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(19) ![]()
Podemos relacionar as propriedades críticas e estáticas através das equações para as propriedades de estagnação. Assim:
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Mas
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e
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Logo:
(20) ![]()
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Razão entre massa específica característica e estática em função de Mach
Para a velocidade:
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Mas
e:
(21) ![]()
e
(22) ![]()
Logo:
(23) ![]()
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Razão entre velocidade característica e estática em função de Mach
Substituindo na equação para a razão entre as áreas:
(24) ![]()
A Eq.(24) nos fornece a razão entre a área e a área crítica em função do número de Mach. Conforme o gráfico, para cada razão de áreas existem dois números de Mach que satisfazem a equação, um subsônico e outro supersônico.
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Para dada razão entre área e área crítica, dois pontos no gráfico satisfazem a equação: um subsônico e outro supersônico.
Exemplo
Escoamento entra num bocal convergente-divergente com
. A pressão de estagnação do gás é
e
,
. Determine a razão entre a área e a área crítica para obter Mach=1. Se a razão entre a área de saída e a área crítica é de 30, qual o valor de Mach na saída?
Substituindo na Eq. 24, temos:
![]()
Se
, podemos estimar um valor de Mach e iterar até convergir. Assim:* M=2
* M=4
* M=5
* M=4,5
* M=4,1
* M=4,05 ![]()